Hepatologista · CRM/SP 61879
"Passei a entender a vida pelo fígado."
Hepatologista com formação de excelência mundial e décadas de experiência no diagnóstico do câncer precoce de fígado.
Pioneira em vigilância por ultrassonografia, elevando o diagnóstico precoce de 30% para 65%.
Referência em segunda opinião médica para casos complexos, aliando rigor científico e acolhimento humano.
Esta frase não é um slogan para mim. É uma epifania construída ao longo de décadas de estudo, atendimento e observação. Para mim, o fígado nunca foi apenas um órgão; sempre foi a lente através da qual decifrei a complexidade da existência humana, sua fragilidade, sua resiliência e sua capacidade de regeneração.
Minha história começa em Londrina, no Norte do Paraná, onde cresci em meio ao exemplo de um pai cirurgião que, com suas mãos precisas e generosas, salvou milhares de vidas.
Minha mãe sempre dizia: "tem que ter crédito, talento próprio." E eu carreguei essa lição comigo: a busca incessante por confiança e credibilidade.
Mas a medicina, para mim, não seria uma herança passiva. Foi uma escolha ativa, nascida de um desejo pulsante de resolver, de transformar o sofrimento em solução. Foi então que o fígado se revelou como meu campo de atuação.
O fígado
Lembro-me de uma frase que repetia aos meus alunos: "O coração é o órgão importante, mas de fato, o core central das pessoas é o fígado." Porque tudo passa por ele. A psiquiatria, a ginecologia, a cardiologia, a neurologia, a reumatologia, a endocrinologia, a ortopedia, a nefrologia, a gastroenterologia — enfim, todas as especialidades precisam entender, senão a extensa hepatologia, as bases da anatomia e funcionamento do fígado.
E, no entanto, ele continua sendo subestimado. É um órgão misterioso, pouco compreendido, cheio de dúvidas com avanços recentes surpreendentes.
Refiro-me à anatomia microscópica e/ou macroscópica, ao reconhecimento da unidade funcional do fígado — o lóbulo hepático que forma um perfeito hexágono com trama vascular delicada.
As células de Kupffer ficam em posições estratégicas, como soldados que defendem todo este ambiente de filtro.
Este imponente órgão se apresenta como uma esponja cheia de sangue e que, ao inflamar, pode se tornar uma pedra polme endurecida.
A biologia molecular intracelular e os receptores de membrana ativos nas suas vias de regulação, comandados por genética independente, rica e infinita ao conhecimento.
Foi exatamente essa complexidade que tanto me atraiu. E não é uma metáfora vazia: além de tudo, o fígado é a maior glândula do corpo, como uma grande indústria, responsável por mais de mil funções. Ele é o centro metabólico, o filtro, o guerreiro silencioso que muitas vezes só é lembrado quando falha. Entender o fígado é entender a interdependência de todos os sistemas do corpo e, por extensão, de todos os aspectos da vida.
O Japão
No Japão encontrei a escola dos pioneiros mundiais no diagnóstico do carcinoma hepatocelular, sob a tutela dos Professores Masaaki Ebara e Kunio Okuda. Foi lá que, finalmente, comecei a desvendar o fígado para mim.
Não aprendi apenas técnicas avançadas, aprendi uma filosofia de trabalho e de vida. Vi titulares da medicina andarem de ônibus, com a simplicidade de quem não se deixa corromper pelo poder. Aprendi que a excelência não está em títulos, mas em serviço e disciplina.
O respeito ao silêncio, à comunidade e à precisão transformou minha visão de mundo.
"A excelência não está em títulos, mas em serviço e disciplina."
De volta ao Brasil
Dediquei-me a transformar esse conhecimento em prática. No Hospital das Clínicas da FMUSP, sob a mentoria do Professor Flair José Carrilho, meu grande mentor e guia por mais de trinta anos, implementei uma rotina de vigilância por ultrassonografia para a detecção do câncer precoce de fígado.
Foi um trabalho de formiga, de anos, que parecia invisível. Mas, olhando em retrospecto, a contribuição que deixei ao Departamento de Gastroenterologia me preenche de orgulho.
Elevamos a taxa do diagnóstico precoce do carcinoma hepatocelular de modestos 30% para impressionantes 65%. Esse avanço expressivo na curva de sobrevida impactou diretamente a rotina do Serviço de Transplante de Fígado, chancelando a expansão de uma divisão que mudou a realidade da maior universidade médica da América Latina, alcançando a marca de mais de cem transplantes anuais e posicionando a instituição no segundo lugar do ranking internacional de transplantes de fígado.
Minha produção científica ganhou regularidade e consistência admiráveis a partir de 2010. Publiquei dezenas de artigos em periódicos de prestígio internacional, com destaque para meus estudos sobre o diagnóstico do carcinoma hepatocelular, a correlação entre doenças metabólicas e o fígado e a aplicação da elastografia hepática em diversas etiologias da doença hepática crônica. No prestigiado AD Scientific Index, passei a figurar em posições de destaque absoluto na minha especialidade, posicionando-me entre os principais pesquisadores da Universidade de São Paulo e do Brasil.
Carrego um legado familiar de serviço público, sendo a quarta geração de cuidadores de saúde, desde o período da monarquia, e uma formação acadêmica de excelência mundial. Mas, acima de tudo, carrego a convicção de que a medicina é uma ferramenta de cura e de comunidade e que, às vezes, a melhor forma de curar é estar presente, ouvir e oferecer segurança.
"Passei a entender a vida pelo fígado."
Dra. Denise Paranaguá · CRM/SP 61879
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